Comunidade (Munir Soares)

Credito: Everton Guedes - Lançamento do livro "A última viagem do Malteza” de Valmir Guedes Junior
NA ONDA
Apesar das vacinas, um surto de gripes, deixou-me, de “molho” por algum tempo. Acho, que já estou em plena “Terceira Idade Média”, sem defesa, diante de certas influenzas. Soube, que o lançamento do livro “A última viagem do Malteza”, de Valmir Guedes Junior, foi um sucesso de público. A “maldição do Malteza”, como dizia Richard Calil Bulos está, agora, registrada em livro. Diga-se, a bem da verdade, que, nos últimos anos, a produção literária da terrinha, ganhou destaque. Adilcio Cadorin lançou três livros, Márcio Carneiro não deixou por menos. Márcio Rodrigues editou duas obras e Walmir Guedes tirou do prelo seu segundo livro. O pessoal do “Carrossel de letras” continua movimentando o varal literário. Nino Camilo estreou como escritor. Regina dos Santos ajudou a escrever a história da enfermagem na Laguna. Jacqueline Bulos Aisenman brindou-nos com o seu “Coracional”. Norberto Ulysséa Ungaretti, em “Laguna: um pouco do passado”, fruto de paciente trabalho de pesquisa, retrata e revive o maravilhoso passado de sua terra e sua gente, nos mínimos detalhes. Rogério Ulysséa numa homenagem ao pai, professor historiador e cronista Ruben Ulysséa, reuniu sua obra no livro – Laguna, memória histórica.
O acervo é grande, falta apenas, uma livraria. Os livros mencionados acima estão sendo vendidos na loja “Laguna Discos”, rua Gustavo Richard esquina com 13 de maio.
Voltemos ao caso do Malteza, uma tragédia aeronaval. Para evitar que o navio adernasse, cabos de aço foram estendidos entre o barco, e os cômoros. Um bimotor, com um piloto curioso, ao tentar observar a cena, de perto, baixou demais, e esbarrou nos cabos. Mortes no navio e no avião. Drama no mar e no ar. Drama familiar? A moça, mãe, resolvera, com dedicação e afeto, desprendimento e muito amor, criar sua filha sozinha. Ser pai e mãe. Algumas vezes, a menina perguntava pelo pai e a mãe, aguardando a idade apropriada dava uma desculpa qualquer, aparentemente, aceita pela filha.
A tragédia do Malteza, com suas estranhas mortes, durante muito tempo foi assunto de conversas entre lagunenses. Certa manhã, a garota mencionada acima, resolveu, novamente, perguntar a mãe.
___ Mamãe, onde está o meu pai?
Era um dia de muita atribulação, compromissos, trabalho extra, estresse. A mãe, atucanada, respondeu de imediato.
___ Teu pai, morreu no Malteza!
E, ali ele ficou “sepultado”, por um bom tempo.

BALEIA NO CANAL
Pela terceira ou quarta vez, uma baleia franca, entra pela boca da barra da Laguna e vem passear, tranquilamente, pelo canal da lagoa Santo Antônio dos Anjos, reverenciada pelos botos e monitorada pelos órgãos ambientais. Nosso canal é o verdadeiro berçário de Baleia Franca. Pena, que nossos órgãos responsáveis pelo turismo, não tenham, ainda, transformado o acontecimento, num belo “folder” turístico.

MODERNIZAÇÃO
Até as mais conservadoras boticas da cidade Juliana já mudaram o visual. As farmácias receberam um banho de loja, amplas, envidraçadas, com boa exposição dos medicamentos. Receita de sucesso. Estão mais saudáveis. O mesmo deveria acontecer com algumas bibliotecas, transformadas em cantos de leitura, envidraçados, construídos no meio das praças, uma forma de levar livros ao povo. Por exemplo, a praça dr. Paulo Carneiro, defronte ao Mercado Público, e ao lado do ponto de táxi, poderia servir de embrião desse projeto... Para trabalhos de pesquisas, os interessados recorreriam à biblioteca central.

Dilma - Antes e Depois


CARA NOVA
O político brasileiro não tem mais duas caras, têm várias. Com auxílio da cirurgia plástica eles vão mudando o visual a critério de seu marqueteiro. A Dilma (PT) já está de cara nova, o mesmo acontece com a companheira Ideli. Está sendo criado o Ministério da Cirurgia Plástica. Será, que a dona Ângela (PP), a mais sisuda, vai ganhar um sorriso de Monalisa?

A CRIATURA
O caso mais sério é o do PMDB catarinense. Nem os mais renomados cirurgiões plásticos teriam aceitado a incumbência de restaurar a imagem do partido, transformado num verdadeiro Frankenstein. Enquanto o presidente nacional da sigla, ameaça cortar as asas do presidente regional, um conhecido deputado federal do PMDB teria pedido que ele, Moreira, tivesse duas caras, e um pé no palanque do Colombo ((DEM), de quem é vice e outro, no de Dilma (PT). O Frankenstein ainda apresenta outras anomalias. Membros do mesmo diretório, que apoiou o nome de Eduardo Moreira para vice na Tríplice Aliança, fazem parte do comitê de apoio a Dilma e Temer. Consertar um monstro desses, só um milagre da política brasileira.

NOTAS DA TERRINHA

NOTA DEZ
Parece, que já tivemos a aula inaugural do Curso de Engenharia de Pesca, da UDESC, aliás,é bom que se diga, devemos, exclusivamente, ao Eduardo Moreira a presença do campus da Udesc, em Laguna.

DOCAS
Enquanto o canal da Lagoa Sto. Antônio dos Anjos não é dragado, não poderiam tirar aquela sujeira, que enfeia as docas?
___ E por que todo aquele entulho, trazido pela enchente do rio Tubarão, continua amontoado na prainha do pontal?

MILAGRE
Apesar de todo o descaso, a lagoa Santo Antônio ainda faz milagres. O pessoal continua pegando burriquetes, durante a madrugada, no espaço entre o mercado Público e o supermercado Angeloni.

Histórias da tricentenária Laguna

UMA SANTA INQUISIÇÃO
Silvério de Jesus, artista e ex-cronista social do jornal “O Renovador”, fora contratado pela Secretaria Municipal de Turismo, para animar uma festa no interior. Cedinho, Silvério preparou as caixas de som, ajeitou a maleta-camarim e rumou para a Figueira, uma localidade privilegiada com uma vista paradisíaca, para a lagoa Santo Antônio dos Anjos.
À época, o tradicional acontecimento religioso reunia fiéis de quase todo o distrito de Ribeirão Pequeno, e tinha como característica, o encontro das imagens de N.S.dos Navegantes, com a do Senhor Bom Jesus. As procissões saiam, simultaneamente, do Bananal e do Ribeiro Pequeno, em direção à capela da Figueira. Silvério estacionou a kombi diante da Casa Paroquial e começou a tirar seus badulaques, quando foi inquirido por um senhor, que se apresentou como presidente da Igreja (ou do salão da igreja).
___ Quem o chamou aqui?
Silvério, sentindo que não andava numa maré de sorte, teria respondido, educadamente:
___ Fui contratado para animar a festa...
O referido senhor, que conhecia o nosso artista, somente, como imitador do sensual “Ney Matogrosso”, no papel de zelador da moral pública, foi incisivo, categórico:
___ Não vamos permitir que aquela indecência seminua venha ofender nossa comunidade religiosa, mesmo porque já contratamos um conjunto de forró, para animar o baile.
Aquele cavalheiro o olhava como um membro do Santo Ofício, falando em nome da Santa Inquisição disposto, se preciso fosse, a colocar o “mato grosso” numa fogueira, bem ali, debaixo da figueira. Era como se o Silvério fosse, não uma bruxa erótica, cavalgando cabos de vassoura, mas uma feiticeira herética, mensageira do pecado. Como explicar que o “Ney Matogrosso” era também, o “Palhaço Pimpim”, alegria da garotada, e que havia sido contratado para trabalhar, como palhaço? Como não havia ninguém da Prefeitura, para confirmar a história de sua dupla identidade profissional, Silvério bebeu o “cale-se” amargo da subserviência e apelou para uma piedosa mentirinha.
___ Também, estou aqui, para pagar uma promessa, acompanhar a procissão, descalço...
___ Qual delas? Teria perguntado o desconfiado senhor.
___ Minha promessa é para o Senhor Bom Jesus. Sem saber, Silvério havia escolhido a peregrinação mais longa e a mais difícil. Chegou mais morto do que vivo, cantando com a fé de um Congregado Mariano e a pureza de uma “filha de Maria”.
Bem mais tarde, já fantasiado e maquiado, o Palhaço Pimpim foi apresentado ao presidente do salão de festas, pelo Renato Checo, funcionário da Prefeitura Municipal. Sob observação, o palhaço Pimpim ofereceu à criançada, brincadeiras saudáveis e angelicais. Nada de “lambada” ou “pau-de-sebo”. Nem mesmo para “pular carniça” Silverinho ousou agachar-se. Tudo terminou com devoção e alegria.
Silvério de Jesus nunca vai esquecer do dia em o “Matogrosso” quase botou o palhaço Pimpim, no fogo.


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